
"Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão.
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração." (Chico Buarque)

"Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão.
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração." (Chico Buarque)

Amigos vivei! Aproveitai seus últimos instantes pecadores na face da terra. Se redimam de seus pecados enquanto é tempo. O fim está próximo. A ciência, sim, Pessoa, a ciência!, não conhece limites. Hoje os pérfidos soldados da mente celebram o marco de nossa ruína. Conseguiram atingir velocidades e energia nunca dantes vistos, e mesmo assim, querem mais, querem recriar, iludidos, o que suas cabeças blasfêmicas pensam ser o começo dos tempos, o início das eras, o útero que pariu vida! Depressa meus irmãos, vivei enquanto é tempo. Se redimam de suas vidas pouco vividas!Namorados fazei! Putas Lucrei! Esposas! Maridos! Traiam! E metei! Metei, meus irmãos, metei e gozais seus últimos instantes de vida. A data do próximo passo, do fim do mundo e dos tempos, e do espaço, e de tudo, enfim, é conhecido e será publicado aqui neste blog quando me lembrar de procurar.

Vou falar sobre a guerra. Vasculhando as coisas do meu irmão outro dia, a procura de um antigo jogo, encontrei diversos livros ótimos guardados em um lugar que eu jamais imaginaria. Entre eles eu encontrei um chamado "Vozes Roubadas", havia também "1984", "Revolução dos Bichos", "Capitães da Areia". O livro é muito interessante! Ele traz compilado diversos diários que crianças e jovens, em diversas guerras, escreveram, desde a primeira guerra mundial, até a mais recente invasão do Iraque, passando pela segunda guerra, Vietnã e Intifada.
Este é um trecho do diário de Piete Kuhr (12 anos) na Alemanha, em 14 de Agosto de 1914:
"Agora há barricadas nas pontes das nossas estações de trem. Por toda a parte há sentinelas. Nas pontes há cartazes que dizem "Dirijam Devagar!". Todo motorista é interrogado e todo veículo, revistado. Ninguém que esteja atravessando uma ponte pode demorar-se sobre ela. Trens militares passam por sobre as pontes. Subitamente tem-se a sensação de que o inimigo está bem próximo.
(...)
Novos refugiados chegaram da Prússia Oriental. Desta vez eu os vi com os meus próprios olhos, mães, crianças, velhas e velhos. Alguns bem vestidos, outros, mal. Todos traziam trouxas e malas, roupa de cama, casacos e malas, tudo amarrado junto. O posto da Cruz Vermelha na estação cuida dos refugiados.
Uma mulher com crianças barulhentas ficava gritando "Para onde podemos ir? Para onde ir?". Desejei a ela boa sorte e disse: "Não se preocupe o imperador cuidará de todos nós!". "Pobre menina", disse a mulher (pronunciando-o de uma maneira esquisita), "uma criança como você não faz ideia de como é, não?" E as lágrimas correram por todo o seu rosto rechonchudo e vermelho."
Texto de abertura de um exercício cênico:
- Minha apresentação é sobre a guerra, mas neste prólogo eu quero falar sobre paz. A Paz. É difícil mesmo pra mim falar sobre isso. Não sei se sou muito fraco ou sensível, mas só de ler ou assistir documentários sobre as guerras passadas, sobretudo as duas grandes guerras, fico acabado. Completamente dilacerado. Céus! Desde sempre houve guerras. É sempre a lei do mais forte. E dane-se os escrúpulos, dane-se tudo, as famílias, as crianças, foda-se, foda -se, foda-se, foda-se... Será possível que não podemos viver numa boa, viver em paz. De onde vem esse impulso de olhar para o outro e dizer “foda-se eu vou te matar, não me importa, eu quero o que é seu!”. Já passamos por tantas coisas e continuamos a fazer isso. É tão mais fácil simplesmente discordar, mas, sei lá, apertar as mãos e você pra um lado, eu pro outro. Vamo... fazer arte , educar as crianças, pesquisar a cura do câncer, mas meu, pra que ficar achando jeito de matar mais , de matar mais fácil, mais rápido. Gente, eu to cansado de tudo isso. Não aguento mais. Não aguento mais. Gente, não dá. Não é certo. Não é justo. Não é possível que ninguém faça nada. Porra, vamo viver em paz. Pra que serve a porra da ONU, esse bando de engravatado do caralho. Não aguento mais, alguém tem que fazer alguma coisa, não dá mais. Porra, sempre só se dá bem um bando de sanguinário do caralho. Foda-se então. Mete bala em todo mundo então. Pega George Bush, traficante, o caralho a quatro bota tudo no paredão e mete bala. É justo, pronto e acabou. Destrói todas as armas depois e tá feito. Chega! Sei lá, instaura uma ditadura, prende todo mundo, mete bala e pronto! Acabou. E vamo viver em paz! E vamo viver em paz !Vamo viver em paz!
" Fantasio sobre começar de novo e eliminar o rótulo de mala que trago pendurado em mim..."