Saiu hoje o
Ranking da
Webometrics que considera
USP a 38ª melhor universidade do mundo, sendo a mais bem colocada no Brasil e na América Latina e tendo melhorado 49 posições em relação a
janeiro deste ano.
Para além da discussão do mérito de tal
ranqueamento, me pergunto: Como é
possível entender a dissonância entre a melhora na classificação e os sérios embates políticos internos, com greves cíclicas, sendo que última terminou a pouco mais de 1 mês e meio? Na certa é muita vadiagem, pura
baderna política ou
maconheira, responderão os jovens-só-me-importo-comigo-de-bengalas de plantão. Mas a verdade que vejo passa bem longe dessa
ótica. Partindo do pressuposto que legitima o
ranqueamento, não existe um antagonismo entre as partes, mas sim, uma pergunta inquietante que salta aos olhos : Se a
Usp consegue melhorar sua classificação e se manter como a melhor na
américa latina, apesar de todos os seus problemas internos, em que pé estaria se houvesse de fato investimentos estatais pesados e uma boa política para a melhorar da educação superior? Veja: existem várias
USPs. A que recebe
dinheiro privado e perde dinheiro público através das fundações, mas que garante o mínimo de
infra-estrutura adequada ao ensino. Enquanto há outra que só pouco recebe dinheiro público mas que é incapaz de manter salas de aula sem infiltrações, bem ventiladas e muito menos com acesso a equipamentos
multimídia. Quem conhece a
Usp sabe que me refiro aqui a
FEA e a
FFLCH, que utilizo com casos extremos da notória
bagunça administrativa que é a Universidade de São Paulo.
É necessário que se melhore as condições de ajuda estudantil, muito criticada por quem não precisa delas, mas que são vitais para quem as utiliza. Além disso, antes que todas as faculdades da
Usp corram choramingando por alguns trocados a iniciativa privada, para conseguirem garantir o bom rendimento de seus cursos, é necessário que se aumente o repasse do
ICMS, a anos congelado, para a universidade pública, além de se rever a distribuição interna deste. Outro ponto importante diz
respeito aos funcionários e professores da universidade, que precisam ter seu trabalho melhor remunerado e valorizado, com reais
perspectivas de crescimento
profissional, caso contrário somente se encontrará, a
exceção de alguns mártires, entre os
concursados, professores e servidores desmotivados, e entre os
terceirizados e temporários, o medo de ir pra rua, ambas qualidades
antagônicas ao melhor rendimento do ambiente
acadêmico.
Assim, encarno o
neo-
hippie sonhador e requestiono seriamente: se estamos assim agora com uma escassez gritante de recursos para a educação superior – e na educação geral como um todo - onde
estaríamos se nos
puséssemos a valorizar o conhecimento como meta
máxima a ser melhorada?