Prof.ª Maria Luiza Redentora:

"...Mesmo que para isso tenha que dar minha cara a tapa, e lançar-me na guerra sem armadura,
vou peitar isso tudo mesmo que fique aqui só e insegura..."

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

ENEXA!

Quem merece dúvida tão triste:
Assistir a copa ou invadir a assembleia?
Torcer pelo Brasil ou repartir nossas terras?




Entopem-se as ruas com as galeras, na copa,
e a cada gol de fera,
uma criança tomba morta,
muito doida de cola.

Pô, seus Bendeirinha, não deu pra perceber,
que o povo tá impedido na cara dura de bem viver?!
Pô, seu Juiz, presta atenção na grande área:
corpo que cai é penalti, é morte encomendada!

Explodem rojões no céu!
E na cara dos sem terra...

aos capitães da seca,
aos centro-avantes da miséria,
aos volantes da amargura,
aos zagueiros do império...

À seleção de poucos da nação
- de neguinho tipo exportação-
À sucursal Brasil S. A.,
Eficiente em desnutrir,
Excluir e dominar.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Volta Dos Mortos Vivos

Pois eis que quando eu menos esperava, meu passado sombrio, meu lado negro da força, ressurge mais uma vez. E aproveitando esse meu remergulho no mundo corporativo irei tecer um comentário a cerca do vídeo a seguir.


Ele é um comercial de natal educativo sobre acidentes de trânsito.

Para mim esse é o tipo de comunicação desejável, quando o assunto é educar. O comercial acerta em apostar nas vivências prazerosas, retratadas de forma bem informal, quase caseira. A identificação é direta. E ele continua acertando ao explorar ao longo de cinco minutos, reiteradas vezes, em diversos exemplos, as tragédias que se anunciam. O ponto forte é sem dúvida o que aqui eu vejo como bom, que é o apelo, o argumento emocional do comercial. Nada mais certo do que isso, se o objetivo é de fato conscientizar. Somos seres dotados de razão, mas guiamos nossas vidas através de nossas emoções. Meu único porém no vídeo, é a referência a vigilância da polícia, muito mais pela forma que é tratada, do que pela presença em si. Essa é a única passagem que apesar do tom melo dramático, transparece um argumento extremamente racional: Não faça. Estamos te vigiando. Você será punido. Argumento esse de baixo impacto, a meu ver, já que todos já sabem muito bem os limites legais de teor alcoólico no sangue ao volante. Para mim o que torna o vídeo forte e certeiro é o retrato emocional da vida dos personagens envolvidos e retratados. Muito bom.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Máxima do dia

Quando cidadãos revoltados se expressam contra esquemas de corrupção, afirmando que nunca antes na história desse país - ou mesmo da humanidade - houve tanta roubalheira, das duas uma: ou é recém-nascido, ou pior, não estudou história.

Goya, "Two Old Woman Eating"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A respeito do horror

Portão principal de Auschwitz I - na placa lê-se: "O trabalho liberta"
"Há terror e pânico em nossa cidade...
A causa de tudo isso são os trens lotados de judeus que passam por nossa cidade rumo a Belzec. Os judeus são amontoados em vagões de gado fechados, de cem a cento e cinquenta em cada vagão. Belzec fica localizada numa área florestal, e é lá que todos são mortos. Como são assassinados, isso não sabemos. Há rumores de que são envenenados com gás, outros dizem que são eletrocutados, queimados ou baleados. Uma coisa é certa, de lá não há volta."
Clara Schwarz, 15 anos, Polônia, Verão de 1942


Escrevo este post nauseado pela rápida pesquisa que realizei devido aos 65 anos da libertação dos campos de concentração nazistas de Auschwitz-Birkenau, pelas tropas soviéticas , no dia 27 de Janeiro de 1945.
Me é viceralmente perturbador ler os relatos de sobreviventes e me expor as fotos documentais da época. Meu sangue ferve em dor e se apimenta de desejos de vingança, carnal, a fim de levar a cabo uma outra guerra contra pessoas a tempos mortas ou já bastante envelhecidas. Investigando minha alma posso compreender claramente, em mim, o impulso que leva tantos jovens a guerra, e que provavelmente seria similar a outros tantos jovens que estariam do outro lado deste conflito que eu poderia ingressar.
O pior é: me considero pacifista, mas percebi que não sou. Dou graças a deus, sem crer em tal mentira, que muitos deram suas vidas para derrotar a Alemanha Nazista, e que puderam ajudar , enfim, os que resistiram aos horrores da Shoah -melhor dizer Holocausto, não foram só Judeus que morreram, apesar de serem o grupo amplamente maioritário.
Neste dia em que se relembra este feito, ofereço meus pensamentos as incontáveis (não é pleonasmo) vitimas cruelmente assassinadas; aos corajosos combatentes que morreram ajudando a extirpar esse mal - soou bem nazista isso, não? pois esse é o tamanho do meu ódio- e aos outros tantos veteranos e sobreviventes que carregam/carregaram no corpo e na mente as marcas desses tempos abomináveis.

"Queria gritar ao tempo que se demorasse, e não corresse. Queria recapturar o meu ano passado e guardá-lo para mais tarde, para a nova vida. Meu segundo sentimento hoje é o de força e esperança. Não sinto o menor desespero. Hoje fiz quinze anos de idade e vivo confiante no futuro, não me preocupo com ele, em vez disso tudo o que vejo diante de mim é o sol, o sol, o sol, o sol.

Yitskhok Rudashevski, Lituânia, 10 de Dezembro de 1942 (morreu por mãos nazistas por volta de outubro de 1943)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um post rápido

Foi anunciado hoje o vencedor do nobel da paz: Obama. Porque? Vejamos: por propor reduzir o armamento nuclear, ao invés de extirguir. Me parece que a obamania ainda afeta a mentes dos jurados. Não que eu goste tanto assim do prêmio Nobel, que já cometeu diversas injustiças, mas assim já é demais. Obama assume a presidência vendendo mudança, continua a manter duas guerras, controla um arsenal bélico capaz de destruir a terra, não reduz os gastos militares e ainda leva o Nobel da paz...


Pois é Orwell o ministério da guerra cuida da paz.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Grafite


Segundo divulgado pela Folha de SP, no domingo de manhã (13/09) cerca de 150 pessoas realizaram um ato artístico na 23 de maio. O grupo pintou os muros, ao longo de 1 km, em protesto a política da prefeitura de pintar de cinza grafites e pichações não autorizadas.
Me chamou atenção a forma como foi noticiado este fato. Seguindo com sua linha editorial, já revelada em outros casos semelhantes, o jornal destacou a manchete: "150 PICHADORES ATACAM A AV. 23 DE MAIO EM PROTESTO". A matéria em tom policialesco, ainda trazia a opinião de um especialista que considera errada, mas válida, a ação porque a questão dos grafites precisa ser disciplinada, e a opinião de um outro grafiteiro considerado veterano que criticava a ação pois "há uma grande poluição com trabalhos mal feitos por aí".
Como revelado na foto acima, publicada na edição de hoje do jornal, um dia depois os muros já haviam sido pintados de novo, ou como rubricado na foto pela Folha, já haviam sido limpos.
Não entendo como podem preferir esse cinza a desenhos coloridos, e chega a ser risível considerar muros de concreto sujos e sem vida como limpos. Posso até concordar com a opinião de que há muitos trabalhos mal feitos por aí, nem todo grafite é uma obra prima, mas definitivamente entre muros de concreto e muros desenhados eu fico com a segunda opção.
A meu ver, no que diz respeito as artes plásticas, andar pelas ruas de São Paulo e observar seus grafites - que vá lá, é privilegiada na questão dos grafites - é uma experiência muito mais enriquecedora do que andar pelos vazios das Bienais de arte. O grafite mesmo com seu caráter efêmero, intrínseco a essa arte, é mais do que isso, é a forma com que a periferia (onde se concentra a maioria dos grafiteros) tem de gritar que ela existe, que tem sonhos, desejos, e está viva e atenta ao seu viver nessa cidade opressora. E digo mais, para mim todos os muros da cidade deveriam ser coloridos com desenhos e todos os prédios públicos deveriam contratar renomados grafiteiros para grafiterem seu exterior - fugindo um pouco da questão me vem a mente a figura da belíssima catedral de São Basílio na Rússia (hehehe mais isso é apenas um sonho da wonderland desse artista que vos fala).
Enfim, é triste ver que boa parte da sociedade, com sua visão civilizadora e regulatória, prefira viver nessa cidade cinza e sem vida, a viver em uma cidade colorida e alegre.
"Cores são exceções em desuso, no que veio pra criar e, contudo,
vem enegrecer, mas há beleza ainda eu sei..."
(Letra de Viver(Paz) de minha autoria)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Paranóia

Anúncio da Pakistan Air Lines (1979)
Pois bem chegamos de novo ao fatídico dia 11 de setembro, e o mais engraçado é que eu só me dei conta da carga desse dia lendo os jornais. Para mim, passados já todos esses anos, “11 de setembro” se tornou uma ideia, um conceito, descolado do dia em si. Vejo nele um marco de quando os países ocidentais industrializados passaram a caminhar a passos largos rumo a sociedade de “1984”, de Orwell. E é sobre isso que quero falar nesse post: sobre meu medo do que virá a seguir nesse século que se inicia.
Quando paro e penso sozinho em planos malignos de dominação global – é o que eu faço todas as noites Pink! - tenho sempre a sensação de que os ditadores do passado teriam muita inveja dos aparatos de controle e repressão que possuímos hoje. Ingênuamente no mundo todo está se construindo um aparato digno de um Estado repressor. Todos nossos passos podem ser rastreados. Vejamos minha vida em São Paulo. Meu passe de transporte coletivo, o bilhete único, é cadastrado em meu nome, e portanto passível de ser rastreado, de saber por onde e quando andei. Os carros em pouco tempo, pois já foi aprovada uma lei que impõe isso, passarão a ter chips de identificação sendo monitorados por pontos da cidade. Meu telefone celular, que sempre carrego comigo, pode ser facilmente rastreado pelas torres de sinal de minha operadora. O resultado é o mesmo, o Estado, bastando querer, pode saber quando e onde eu vou no meu dia a dia. Para quase tudo hoje em dia se tem que se fazer um cadastro completo, deixando registrado que você passou por lá, informação essa facilmente rastreável. Há câmeras de segurança por todos os lados, privadas ou da prefeitura, e numa caminhada até a padaria perto de minha casa minha presença ficou registrada em sei lá quantos vídeos , que pelo menos não se armazenam por muito tempo. Por sorte, por aqui , ainda , não chegamos a situação de Nova York e Londres, onde nesse ponto, o grande olhar do “Big Brother” que é multifacetado está amplamente difundido por todos os cantos.
Temos a Internet, lar de expressão livre e do anonimato. Mas somente por que se quer assim, porque na verdade é exatamente o oposto. Navegar sem deixar rastros é tarefa para poucos que conhecem as entranhas da computação e requer muita perícia. Todos temos um endereço fixo virtual. As informações por onde andamos virtualmente ficam armazenadas em nosso provedor de internet. O próprio Google mantém durante anos um gigantesco banco de dados que revelam as preferências, interesses e gostos pessoais. E nesse ponto o caso da China e sua enorme muralha virtual se impõe como exemplo. Ainda nesse ponto virtual o tal “banco de sangue encardenado” citado por Tom Zé em “Parque Industrial” está aí para qualquer um. Todas esses sites de relacionamento pessoal (Orkut, Facebook, Twiter,...) disponibilizam informações pessoais para quem quiser e ver, e o que é mais importante do ponto de vista de um agente da Gestapo, com quem temos contato, quem conhecemos, com quem falamos (vitualmente) mais. Penso o quanto não se alegraria um agente do Doi-codi folheando as páginas do orkut, tudo tão fácil e disponível.
Em todas as áreas cada vez mais e mais, cientistas e pesquisadores se esforçam em criar artifícios para conectar e interligar as pessoas, tecnologias novas que são rapidamente incorporadas a vida cotidiana. O que me leva ao filho direto, digamos um upgrade mais atual de “1984” que é a “Matrix”. O grande anonimato que sempre definiu a vida nas grandes metropoles modernas está cada vez mais por um fio, sendo substituído por essa versão digital de cidadezinha de interior. - se bem que a cena do personagem de Orwell recebendo papeizinhos por um buraco, e reescrevendo a história quantas e quantas vezes que nem se sabe mais o que é e o que foi de fato, me parece bem válida e muitas vezes completamente atual e verídica.
Bem fechando esse post paranóico, como tudo no relativo ao 11 de setembro, me pergunto o que aconteceria se amanhã de manhã eu acordasse com tanques nas ruas em face de um golpe militar? E respondo: tudo seria tão sadicamente fácil de se controlar....

Ai se a Stasi me lesse agora!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Independência

"Brasil, meu Brasil brasileiro....vou cantar-te nos teus versos" Uma composição para marcar esse dia da independência.
"Eia! Gigante âncora adormecida! Ó filha tirana da América Latina"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Festivais

Me inscrevi nesses dias em alguns festivais de música pelo Brasil. Não sei o que esperar, mas não posso deixar de fazer uma referência nostálgica – Rá rá rá! eu que estava ainda longe de nascer - aos grandes festivais da canção transmitidos pela Rede Record no final dos anos 60. Escolhi essa canção por ter uma temática política, que também terá este post, e por ter ficado impressionado com a vitalidade desta interpretação - não é por menos que ganhou este concurso. Abaixo segue Jair Rodrigues interpretando “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, na final do II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966, no Teatro Record Consolação (São Paulo).

Esses festivais sempre me impressionaram, tanto pela quantidade de talentos revelados, que marcariam o cenário musical brasileiro nas décadas seguintes, quanto pelo papel da mídia nisso tudo. Eram outros tempos, é claro, anteriores ao surgimento da massiva indústria fonográfica tupy, mas cogitar nos tempos atuais que uma emissora de televisão pudesse ter papel tão decisivo, para melhor, no cenário cultural nacional, é motivo de galhofa – e nas mentes dos marketeiros culturais de plantão até uma heresia!

Entendo claramente que o próprio formato desses festivais foi se desgastando com o tempo e com as suas reedições, mas não posso acreditar que tais iniciativas tenham sido deixadas de lado em substituição aos atuais “Fama”, “Ídolos”, e demais reality shows estúpidos e emburrecedores. Tentativas de reviver o espírito desses festivas fracassaram monumentalmente pela insistência, a começar pela escolha dos jurados – que diga-se de passagem foi um dos pontos primorosos dos antigos festivais - em se manter atrelado ao apelo pop, condenável quando para se universalizar o discurso, utiliza-se de artifícios simplórios, batidos e repetitivos. Não posso concordar com a ideia imediatista e equivocada, encravada na mente dos empresários musicais do mainstream, de que algo comercializável tenha que ter essas características. Estou cansado de ver essa máxima burra, porque acaba cavando sua própria cova (apesar de inicialmente trazer lucro), sendo repetida em todos os cantos da arte, seja na música, no teatro, na teledramaturgia, na dança, no cinema, etc. Se isso fosse correto, como explicar o sucesso desses antigos festivais? Como explicar o fato de músicas de compositores do início do século passado serem ainda inteligíveis, interessantes, divertidas, etc, para um público atual? Não afirmo isso do nada. Quantas e quantas vezes já não me deparei com crianças, aborrecentes-mtv e adultos de diversas classes sociais encantados e entretidos com canções de Noel Rosa que eu estava executando. Tudo bem, e faço essa ressalva, que há o efeito do exótico, do novo (para eles) e da presença de palco, mas, será mesmo que precisariam estes viver escutando a pornoxanxadas de quinta categoria, porque os departamentos de vendas julgam que só assim irão lucrar? Com a arte e o consumo musical pulverizados, se vai cada vez mais baixo na tentativa de ser universal (vender para todos), ou apela-se para o internacional, onde a maioria gosta na ignorância (não se sabe -o que no final não importa- o que se canta, apenas ritmo e melodia).

Será possível que não aprenderam nada com o Tropicalismo?!

Bem, mas são outros tempos. Tempos de internet! Onde se pode divulgar um trabalho com facilidade! Onde existe a possibilidade se dirigir a milhares diretamente! Só que tudo é por demais atomizado e as informações se perdem...

Ao menos, em meio a isso tudo, ainda existem festivais em diversas cidades brasileiras, com maior ou menor repercussão, para que esse impulso de incentivo a música e aos novos talentos não se acabe. Porque se depender da atual mídia de massas.................(prefiro não terminar essa sentença).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Até quando esperar?

Saiu hoje o Ranking da Webometrics que considera USP a 38ª melhor universidade do mundo, sendo a mais bem colocada no Brasil e na América Latina e tendo melhorado 49 posições em relação a janeiro deste ano.

Para além da discussão do mérito de tal ranqueamento, me pergunto: Como é possível entender a dissonância entre a melhora na classificação e os sérios embates políticos internos, com greves cíclicas, sendo que última terminou a pouco mais de 1 mês e meio? Na certa é muita vadiagem, pura baderna política ou maconheira, responderão os jovens-só-me-importo-comigo-de-bengalas de plantão. Mas a verdade que vejo passa bem longe dessa ótica. Partindo do pressuposto que legitima o ranqueamento, não existe um antagonismo entre as partes, mas sim, uma pergunta inquietante que salta aos olhos : Se a Usp consegue melhorar sua classificação e se manter como a melhor na américa latina, apesar de todos os seus problemas internos, em que pé estaria se houvesse de fato investimentos estatais pesados e uma boa política para a melhorar da educação superior? Veja: existem várias USPs. A que recebe dinheiro privado e perde dinheiro público através das fundações, mas que garante o mínimo de infra-estrutura adequada ao ensino. Enquanto há outra que só pouco recebe dinheiro público mas que é incapaz de manter salas de aula sem infiltrações, bem ventiladas e muito menos com acesso a equipamentos multimídia. Quem conhece a Usp sabe que me refiro aqui a FEA e a FFLCH, que utilizo com casos extremos da notória bagunça administrativa que é a Universidade de São Paulo.
É necessário que se melhore as condições de ajuda estudantil, muito criticada por quem não precisa delas, mas que são vitais para quem as utiliza. Além disso, antes que todas as faculdades da Usp corram choramingando por alguns trocados a iniciativa privada, para conseguirem garantir o bom rendimento de seus cursos, é necessário que se aumente o repasse do ICMS, a anos congelado, para a universidade pública, além de se rever a distribuição interna deste. Outro ponto importante diz respeito aos funcionários e professores da universidade, que precisam ter seu trabalho melhor remunerado e valorizado, com reais perspectivas de crescimento profissional, caso contrário somente se encontrará, a exceção de alguns mártires, entre os concursados, professores e servidores desmotivados, e entre os terceirizados e temporários, o medo de ir pra rua, ambas qualidades antagônicas ao melhor rendimento do ambiente acadêmico.

Assim, encarno o neo-hippie sonhador e requestiono seriamente: se estamos assim agora com uma escassez gritante de recursos para a educação superior – e na educação geral como um todo - onde estaríamos se nos puséssemos a valorizar o conhecimento como meta máxima a ser melhorada?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Lei de Anistia

Hoje hoje a lei de anistia, sancionada pelo ilegítimo presidente João Figueiredo, completa 30 anos, envolta de um debate a respeito de sua aplicabilidade em relação aos crimes de tortura executados por agentes de nossa ditadura. Como expoentes do debate temos, de um lado, o atual ministro de justiça Tarso Genro, e de outro, o atual ministro de defesa Nelson Jobim. Para um, os crimes de tortura jamais poderiam ser enquadrados pela lei por se tratarem de crimes comuns e não políticos, sendo que mesmo durante a vigência da ditadura ,a prática da tortura, no âmbito da lei, sempre foi considerada crime. Para outro, a lei de anistia é caso encerrado. Ela veio para reconciliar nosso país garantindo uma anistia geral e irrestrita para ambos os lados, sendo que não se cabe o atual debate por não se poder "desanistiar" alguém que foi anistiado de seus crimes.

Quanto a mim penso o seguinte: já é mais que a hora desse país reabrir os casos de tortura e passar, não só na esfera simbólica, mas na criminal, a julgar os ex-agentes e ex-comandantes que cometeram inescrupolosos crimes. Por mais que a lei de anistia tenha sido importante para a redemocratização do país, ela jamais pode ser vista como imutável e deveria ser revista. Não considerar isso é legitimar a própria ditadura, ao passo em que se continua a julgar como criminosos, anistiados, as pessoas inocentes e vitimas dos anos de chumbo. Se por um lado temos agentes e comandantes que agiam no interesse do governo subversivo, de outro temos guerrilheiros e grupos armados que lutavam para derrubar o regime de exceção, mas em meio a tudo isso encontram-se também inúmeros artistas que tiveram que deixar país por sua arte e suas ideias, outros tantas inúmeras pessoas presas pelo envolvimento com o movimento estudantil, e mais outras tantas pessoas que nada tinham a ver com política mas que foram presas e torturadas, por erros da inteligência das forças armadas. O que dizer de uma lei que compara como igualmente criminosos Chico Buarque de Holanda e Carlos Alberto Ustra, Caetano Veloso e Gilberto Gil, e Sérgio Paranhos Fleury, entre outros igualmente anistiados?

Reclama-se ainda das indenizações hoje concedidas a quem foi prejudicado pelo regime militar. É possível que exista um certo exagero nessas ações, entretanto, é mais do que legítimo reparar, financeiramente, quem teve sua vida destruída durante àquele período. Pessoas que tiveram que deixar o país e suas profissões para não serem torturadas, famílias cujos entes queridos foram assassinados pelos agentes do estado, e tantas e tantas outras que foram brutalizadas nos porões da ditadura, e que ainda hoje sofrem pelas sequelas físicas (infertilidade, paralisia, defeitos físicos, ...) e psicológicas resultantes de seus interrogatórios.

Já é mais que a hora desse país passar a julgar, a exemplo da justiça argentina, os crimes dos ex-agentes, comandantes e governadores do governo que subverteu nossa democracia em 1964 e instaurou um regime de exceção. Porém , mais do que isso é um imperativo que todos os remanescentes arquivos da ditadura sejam desclassificados como confidenciais e sejam abertos para conhecimento público. É um absurdo que continuem lacrados, mesmo após dois presidentes que foram perseguidos pelo regime militar (FHC e Lula). Sem eles a história do país fica comprometida e a consolidação de nossa democracia, fragilizada.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um fio de esperança


Um salve ao poder judiciário de nossos hermanos do sul. Por decisão da suprema corte argentina desde de ontem o porte de pequenas quantidades de maconha por usuários deixa de ser crime no país. A corte considerou como inconstitucional a criminalização do consumo da maconha por maiores de idade que o façam em local privado. Entretanto, o comércio e o uso em locais públicos continua sendo crime, mas já é um grande passo no debate sobre as drogas no país.
Não poderia deixar passar batido tal notícia. Em oposição direta ao poder judiciário argentino, enquanto lá se descriminaliza o uso, o nosso vem sistematicamente censurando - sim é a palavra mais do que certa para descrever isso - a realização da mundial "Marcha da Maconha" na maioria dos estados, pela suposição, fictícia, de apologia ao consumo da droga. Para nós resta ao menos um ex-presidente (FHC) que tem se proposto a discutir abertamente o tema em fóruns sul americanos.
Além disso, nessa mesma semana começou a ser vinculado em algumas redes de televisão - as que aceitaram - do estado estadunidense da Califórnia uma propaganda em prol da completa legalização da maconha. Lá, onde o uso terapêutico é legal a anos, existe um ostensivo movimento que enxerga na cannabis a solução para os problemas econômicos do estado.
E não é para menos: a cannabis sativa tem diversos fins com utilidade industrial. A fibra da planta é muito resistente e foi amplamente utilizada até o início do século passado quando passou a ser perseguida. Para-quedas, cordas de navio, e diversos outros produtos derivavam da cannabis, conhecida também como cânhamo. Pode-se também fabricar papel e diga-se de passagem com até 1/6 da área que normalmente se utiliza nos processos de hoje em dia.
O óleo da planta é igualmente bom e de também vasta aplicação industrial - algo como o óleo da mamona. Há seus claros fins recreativos, medicinais e ornamentais - sim é uma bela e exótica planta. Enfim, a legalização da produção e comercialização da cannabis traria um aumento de empregos e de receita gerada pelos impostos, além de tornar disponível o dinheiro atual que é investido em seu combate.
Quanto a mim, concordo e também defendo esta tese, por mais que me contente por hora em descriminalizar seu uso.
Este é um tema delicado e conflituoso e merece outros posts mais específicos. Escreverei mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Lei antifumo


A quase um mês entrou em vigor esta lei que baniu de bares e restaurantes, entre outros locais públicos total ou parcialmente fechados, qualquer derivado do tabaco.
E agora que todos já estão se acostumando com essa abusiva ideia desmascaram-se os argumentos oportunistas.
Antes de ser aprovada donos de bares, restaurantes e afins clamavam a pleno vapor a falência imediata de quase todo o setor que se seguiria a lei. Ora, é óbvio que isto não aconteceria, a maioria da população é de não-fumantes, mesmo sendo os fumantes um público-alvo que não pode ser desconsiderado em seu poder de compra. Entretanto, já não se pode dizer o mesmo de donos de tabacarias que devem estar passando por mal bucados.
Quanto ao cristão sentimento de salvar a saúde dos indefesos garçons não-fumantes percebe-se o oportunismo desse argumento ao, de forma diametralmente oposta, desconsiderar então a saúde dos carcereiros não-fumantes, já que única exceção da lei vale para os presídios.
O que me leva para o próximo ponto: a quem de fato quer agradar? A lei veio para salvaguardar a saúde de todos os cidadãos, excluindo-se portanto os presos não-fumantes e diga-se de passagem, a maioria da extrema periferia da capital, onde o único braço de serviços do estado presente é polícia, quando muito, e onde não se pode esperar haver fiscalização anti-fumo.

Há ainda por de trás de todos os argumentos favoráveis a lei uma espécie de revanchismo. Os fumantes há décadas , apesar que cada vez menos, monopolizavam os espaços públicos fechados com suas tragadas, e os incomodados se afastassem. Assim, inverte-se a equação, para gozo geral dos anti-tabagistas de plantão,que gritam vitoriosos em uníssono: "Vocês vão ter que nos engolir!".
O que mais me assusta nessa ideia é que o ódio armazenado é tão grande que não se importam em apoiar e defender uma proposta por demais autoritária. "Autoritária não! Democrática! É para o bem da maioria!" retrucarão outros, mesmo que a democracia seja um sistema que para além de garantir o interesse da maioria, sirva para impedir que esta massacra suas minorias (lembrem o nazismo: Hitler foi eleito). Veja: uma coisa é restringir severamente o fumo em locais públicos fechados, outra completamente diferente é resolver o problema banindo de todo e qualquer lugar toda uma parcela significativa da população que faz uso legal de determinada substância. O ponto aqui é simples: deveria haver a possibilidade de locais destinados exclusivamente ao público fumante, que seriam sem sombra de dúvida uma espécie de nicho de mercado. Do que tem medo? Que ao permitir um direito democrático como esse a maioria dos bares e casas noturnas se rotulariam como destinadas ao fumo? O que teriam a ganhar se a maioria da população é de não fumantes. De outra forma continuaria tudo no mesmo? Ora, o estado possui outros meios, que não seja a repressão, para garantir seus interesses. Todos esses locais são empresas privadas que visam o lucro, agem de acordo com a lógica do capital, e portanto caberia ao estado impor uma sobretaxa dissuasória aos mesmos, ou oferecer incentivos fiscais, na forma de abatimento de taxas, aos estabelecimentos que espontâneamente proibissem o fumo. Mas , obviamente, aparecer para a população como um fidalgo cavaleiro que luta por sua saúde gera mais votos do que o sensato administrador que garante o direito de todos.
Por fim, desabafo: Estou de saco cheio. Sou fumante, apesar de pretender parar, e sim, sinto falta de poder ir a um bar com amigos para escutar uma música ao vivo, bebendo algo alcoólico e fumando um cigarro. Prazer este que me é negado por lei. Se isto não é um dos passos em direção para a matrix, o estado orwelliano, me digam, o que é?

*
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"... vou formigando e fumando - que se danem os preceitos! -
alucinando e pensando: Ser livre para ser preso? ..."
Letra do Dessamba (de minha autoria)