Prof.ª Maria Luiza Redentora:

"...Mesmo que para isso tenha que dar minha cara a tapa, e lançar-me na guerra sem armadura,
vou peitar isso tudo mesmo que fique aqui só e insegura..."

quarta-feira, 17 de março de 2010

Amor sublime, o amor terreno III

Cântico dos Cânticos
Bíblia - Antigo Testamento



TERCEIRO CANTO

Cortejo nupcial

Coro.

6 O que vem a ser aquilo que sobe do deserto,
como coluna de fumo,
exalando mirra e incenso
e todos os perfumes dos mercadores?

7 É a liteira de Salomão,
escoltada por sessenta guerreiros
dos mais valentes de Israel.

8 Todos são espadeiros treinados para o combate;
cada qual leva ao flanco a espada,
por temor de surpresas noturnas.
9 O rei Salomão mandou construir um palanquim
de madeira do Líbano:

10 fez colunas de prata,
espaldar de ouro e assento de púrpura;
o interior foi carinhosamente adornado
pelas filhas de Jerusalém.

11 Vinde, filhas de Sião, contemplar
o rei Salomão com a coroa,
com a qual sua mãe o coroou
no dia de suas bodas,
dia de júbilo para seu coração!

Descrição da amada

Ele.

1 Como és formosa, minha amada!
como és formosa,
com teus olhos de pomba,
na transparência do véu!
Teus cabelos são como um rebanho de cabras,
esparramando-se pelas encostas do monte Galaad.

2 Teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas,
recém-saídas do lavadouro:
cada um com seu par, sem perda alguma.

3 Teus lábios são fitas de púrpura,
de fala maviosa.
Tuas faces são metades de romã,
na transparência do véu.

4 Teu pescoço é como a torre de Davi,
construída com parapeitos,
da qual pendem mil escudos
e armaduras de todos os heróis.

5 Teus seios são como duas crias,
gêmeos de gazela, pastando entre lírios.

Ela.

6 Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
irei ao monte da mirra e à colina do incenso.

Ele.

7 És toda formosa, minha amada,
e em ti não se encontra defeito algum.

Apelo do amado

Ele.

8 Vem comigo do Líbano, minha noiva!
vem comigo do Líbano!
Desce do cume do Amaná,
dos cimos do Sanir e do Hermon,
das cavernas dos leões,
das montanhas das panteras!

Encantamento

Ele.

9 Arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva,
arrebataste-me o coração com um só de teus olhares,
com uma só jóia de teu colar.

10 Como são ternos teus carinhos,
minha irmã e minha noiva!
Tuas carícias são mais deliciosas que o vinho;
teus perfumes, mais aromáticos
que todos os bálsamos.

11 Teus lábios, minha noiva, destilam néctar;
em tua língua há mel e leite.
Tuas vestes têm a fragrância do Líbano.

Recanto de amor

Ele.

12 És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,
uma nascente fechada, uma fonte selada.

13 Tuas plantas são um vergel de romãzeiras,
vegetação toda selecionada:
umbelas de alfena e flores de nardo,

14 nardo e açafrão, canela e cinamomo,
toda espécie de árvores de incenso,
mirra e aloés,
os melhores bálsamos.

15 A fonte do jardim
é como um manancial de água corrente
que brota do Líbano.

16 Desperta, Aquilão!
E tu, Austro, vem soprar em meu jardim,
para que se espalhem seus aromas!

Apelo da amada

Ela.

Que entre o meu amado em seu jardim
para comer dos frutos deliciosos!

Ele.

1 Já vou ao meu jardim, minha irmã
e minha noiva,
colher mirra e bálsamo,
comer do favo de mel, beber vinho e leite.

Coro.

Amigos, comei!
bebei e embriagai-vos do amor!

Amor sublime, o amor terreno II

Cântico dos Cânticos
Bíblia - Antigo Testamento




SEGUNDO CANTO

Primavera de amor

Ela.

8 Atenção! É o meu amado:
eis que ele vem saltando pelos montes,
transpondo as colinas.

9 O meu amado parece uma gazela,
uma cria de gamo,
parado atrás de nossa parede,
espiando pelas janelas,
espreitando através das grades.

10 Adiantando-se, o meu amado me fala:

Ele.

Levanta-te, minha amiga,
minha formosa, e vem!
11 Eis que o inverno já passou,
cessaram as chuvas e se foram.

12 No campo aparecem as flores,
chegou o tempo da poda,
a rolinha já faz ouvir
seu arrulho em nossa região.

13 Da figueira brotam os primeiros figos,
exalam perfume as videiras em flor.
Levanta-te, minha amiga,
minha formosa, e vem!

14 Pomba minha, nas fendas da rocha,
no esconderijo escarpado,
mostra-me teu semblante, deixa-me ouvir tua voz!
Porque tua voz é doce, gracioso o teu semblante.

Coro.

15 Agarrai para nós as raposas, estas pequenas raposas,
que devastam as vinhas, nossas vinhas em flor!
Apelo da amada

Ela.

16 O meu amado é todo meu, e eu sou dele.
Ele é um pastor entre lírios.

17 Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
volta, meu amado,
– imitando a gazela ou sua cria –,
para os montes escarpados!

Divagações

Ela.

1 Em meu leito, durante a noite,
busquei o amor de minha alma:
procurei, mas não o encontrei.

2 Hei de levantar-me e percorrer a cidade,
as ruas e praças,
procurando o amor de minha alma:
Procurei, mas não o encontrei.

3 Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade.
Vistes o amor de minha alma?

4 Apenas passara por eles,
encontrei o amor de minha alma:
agarrei-me a ele e não o soltarei
até trazê-lo à casa de minha mãe,
à alcova daquela que me concebeu.

Ele.

5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas ou corças do campo,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira!

Amor sublime, o amor terreno.

A tempos que eu não o lia. Pesquisando agora em virtude do texto que estou escrevendo (não esse do blog!) econtrei essa tradução do Cântico dos Cânticos. Notei uma simplificação do estilo, em relação a uma tradução direto do grego que li (que é mais rebuscada), mas achei simpática. É claro que a maioria das comparações são risíveis -outros tempos, outras culturas, mas com a mesma pegada - e que podem ser vistas como romanticozinhas-de -novela, mas o que é exaltado nessa parte da bíblica é, para mim, inequivocadamente a consagração do sublime do amor terreno, do amor carnal. Agora o porque um texto assim estar na bíblia? Isso eu já não sei... Talvez para alimentar, gozando na dor, a grande culpa? Vai saber...
Como é extenso vou publicar um canto a cada post a seguir.



Cântico dos Cânticos
Bíblia - Antigo Testamento




1 O Cântico dos Cânticos de Salomão.


PRIMEIRO CANTO

Anseios de amor

Ela .

2 Sua boca me cubra de beijos! São mais suaves que o vinho tuas carícias,

3 e mais aromáticos que teus perfumes
é teu nome, mais que perfume derramado;
por isso as jovens de ti se enamoram.

4 Leva-me contigo! Corramos!
O rei introduziu-me em seus aposentos.

Coro.

Queremos contigo exultar de gozo e alegria,
celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.
Com razão as jovens de ti se enamoram.

Canção da amada

Ela.

5 Sou morena, porém graciosa,
ó filhas de Jerusalém,
como as tendas de Cedar,
como os pavilhões de Salomão.

6 Não me olheis com desdém, por eu ser morena!
Foi o sol que me bronzeou:
os filhos de minha mãe, aborrecidos comigo,
puseram-me a guardar as vinhas;
a minha própria vinha não pude guardar.

Ambição do amor

Ela.

7 Indica-me, amor de minha alma: onde pastoreias?
Onde fazes repousar teu rebanho ao meio-dia?
Para eu não parecer uma mulher perdida,
seguindo os rebanhos de teus companheiros.

Coro.

8 Se não o sabes, ó mais bela das mulheres,
segue os rastos das ovelhas
e leva teus cabritos a pastar
perto do acampamento dos pastores!

Ele.

9 Às parelhas das carruagens do Faraó
eu te comparo, minha amada.

10 Graciosas são tuas faces entre os brincos,
e teu pescoço entre colares.

11 Faremos para ti brincos de ouro
com filigranas de prata.

Exaltação do amor

Ela.

12 Enquanto o rei está em seu divã,
meu nardo exala seu perfume.

13 O meu amado é para mim
como bolsa de mirra sobre meus seios;

14 o meu amado é para mim
como um cacho florido de alfena dos vinhedos de Engadi.

Ele.

15 Como és formosa, minha amada!
Como és formosa, com teus olhos de pomba!

Ela.

16 E tu, meu amado, como és belo,
como és encantador!
O verde gramado nos sirva de leito!

17 Cedros serão as vigas de nossa casa,
e ciprestes, as paredes.

Galanteios

Ela.

1 Eu sou o narciso de Saron,
o lírio dos vales.

Ele .

2 Sim, como o lírio entre espinhos
é, entre as jovens, a minha amada.

Ela.

3 Como a macieira entre árvores silvestres
é, entre os jovens, o meu amado.
À sua sombra eu quisera sentar-me,
pois seu fruto é saboroso ao meu paladar.

Amor apaixonado

Ela.

4 Ele me conduziu à casa do banquete,
onde a bandeira era para mim sinal de amor.
5 Restaurai-me as forças com tortas de uva,
revigorai-me com maçãs,
porque desfaleço de amor!

6 Sua esquerda apóia minha cabeça,
e sua direita me abraça.

Ele.

7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas ou corças do campo,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira!

sábado, 13 de março de 2010

Sim, Adeus!


Um dia mais triste...

Desenho de Wesley Samp

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mudei o post!

Por um excelente propósito: Compartilhar o prólogo do filme "Anti-Cristo", do Lars Von Trier. É uma das coisas mais lindas que eu já vi. Toda a sequência é de uma suavidade, delicadeva e contrastes fabulosos! Toda a transa é magnifica, mas a tomada explicita aos 1:09 do filme, diz tudo: é lindo, belo e gostoso viver. Em baixo, alguns versos meus que eram o motivo principal do post anterior.


É graça que vejo.
Beleza que me embebeda os sentidos.
Vontade de correr a língua em tua pele,
provando-te o mel, a se espalhar por seu corpo.
Qual água corrente, pousar sobre ti e te envolver inteira,
jóia preciosa, sedutora amante.
Sussurrar em tua nuca malícias, maldades:
deliciosos respingos de água de minha oração ofegante.
E descer ao teu ventre, acariciar teu umbigo,
rodeando a pequenina fonte, em que Drummond viu concentrado,
todo o seu mel, seu fogo, a ti montanhar os seios,
espiralando os sentidos,
ao te riozar de desejo,
chachoerando-te inteira.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Para não esquecer de postar

"O espelho das águas" Tosca fotomontagem de minha autoria
O espelho das águas

Que maré é essa?
Que vai e não volta
No mar há uma porta
Que me convida a partir

Não há resposta
a translúcida porta
não mostra o porvir

Não tem conserto
Não tenho remos
meu peito agora
se perde na imensidão

não tem porque não
não tenho medo
mais forte é o mar
não há porto ou farol
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